Não aprecio abordar assuntos pessoais, pois creio que um blogueiro deve ser um observador do fato e não o foco da notícia, mas, com humildade, respeito e um espírito democrático, sinto-me à vontade para compartilhar uma das experiências mais significativas que vivenciei diante da imponente urna eletrônica. No entanto, é importante ressaltar que essa experiência transcende, sem dúvida, o simples direito de votar, pois trata, na verdade, do direito de existir e resistir, com a consciência tranquila e a liberdade de fazer as minhas próprias escolhas.
Nunca tive vergonha alguma das minhas escolhas e sigo buscando respeitar as escolhas de todos, sem enganar a quem quer que seja.
No caminho até a urna eletrônica, mesmo com os meus votos definidos e devidamente anotados na colinha, passei o trajeto inteiro tentando responder a uma pergunta:
Por que eu escolhi votar nessas pessoas?
No caminho até a urna, lembrei do meu passado de estudante, marcado por muita luta, em que apenas eu e minha mãe — mesmo sem ser obrigada a votar — estávamos ali, sempre ao meu lado, sem baixar a guarda ao reclamar da péssima qualidade do calçamento que tanto nos desgasta debaixo do sol quente.
Isso responde por que votei em uma professora jovem que disputou sua primeira eleição e transformou as escolas da terra de todos os santos, criando um novo ambiente de esperança para milhares de jovens. O voto nessa querida professora foi uma homenagem ao estudante que eu fui e ao modelo de ensino que eu gostaria de ter vivido.
O meu outro voto foi uma homenagem a um bravo líder baiano que derrubou o carlismo, transformando a Bahia, uma figura que sempre defendeu a renovação na política do Brasil.
Os meus votos para o Senado foram uma grande homenagem ao legado de Rui Costa e Jaques Wagner, que transformaram este estado.
O voto em Jerônimo Rodrigues foi o voto da gratidão de um eleitor que, durante toda a propaganda eleitoral, conseguiu se enxergar nas propostas do novo governo. Jerônimo, um homem do interior, olhou nos olhos de sua brava gente, combatendo a oligarquia carlista com coragem e brilho nos olhos.
O voto em Lula foi um voto crítico — não por conta da pessoa de Luiz Inácio, mas sim por tudo em que o governo Lula precisa avançar e pelas escolhas que o governo fez.
Mesmo sendo crítico, eu não tenho o direito de virar as costas para a história e confiar o meu voto àqueles que me enxergam como um alvo a ser executado. Eu não estava ali, cansado, em um lugar que me traz lembranças tão negativas, para dar um voto egoísta; estava lá ao lado da minha mãe, que viveu a ditadura, viu o nascer da redemocratização, vestindo uma camisa vermelha do Corinthians em homenagem ao santo guerreiro, usando com orgulho um boné do MST, um movimento formado pelas lutas dos homens e mulheres do campo que buscam o seu lugar ao sol, trabalhando diariamente e enfrentando sol, chuva e diversas perseguições.
Me despedi da simpática e poderosa urna eletrônica, extremamente orgulhoso e feliz por viver ao lado de quem eu tanto amo neste grande e valioso momento.
Terei um novo encontro com a poderosa urna eletrônica no dia 25 de outubro para reafirmar minha escolha com orgulho.
