O que está em discussão neste texto não é a proibição ou não das apostas on-line, e sim as medidas tomadas pelo governo Lula. O jogo é uma doença que deve ser tratada com responsabilidade pela sociedade e vai muito além da tradicional disputa entre esquerda e extrema-direita.
O governo Lula estava sendo vinculado de forma equivocada à crise do Banco Master e do STF. Visando virar o jogo e a maré negativa nas pesquisas eleitorais, o governo petista, atento às pesquisas de opinião, elegeu de forma inteligente as poderosas e famosas bets como inimigas da tradicional família brasileira.
Mesmo com as loterias federais sendo um sucesso de público, garantindo uma gorda arrecadação para o governo federal — arrecadação essa que se transforma em medalhas e grandes conquistas para o Brasil nos esportes olímpicos patrocinados pela Caixa Econômica Federal —, o jogo nunca foi uma atividade vista positivamente no Brasil.
O governo Lula acertou ao regulamentar as bets em termos fiscais e faturou alto com a regulamentação das apostas em um começo de governo em que o então ministro Fernando Haddad tinha profundas dificuldades para rechear o caixa governista e tirar promessas importantes do papel diante de um teto de gastos que dificultou muito a vida do governo.
Com o crescimento do endividamento da sociedade brasileira e a falta de uma regulamentação mais ampla que impusesse regras rígidas na publicidade destas casas de apostas, a pressão pelo fim da jogatina digital passou a aumentar.
Ao perceber que estava correndo risco na corrida eleitoral por conta da estratégia inteligente da extrema-direita liberal bolsonarista, o presidente petista partiu para o ataque.
Ao partir para o ataque, Lula apostou alto contra as bets ao ver que, segundo as pesquisas, a rejeição à jogatina online chega a 75% da população. O presidente, que sempre foi conhecido por seu estilo negociador, atuou como um imperador e supostamente resolveu o combate ao jogo em uma simples canetada, após dias de muitas promessas.
A CARTA DECISIVA QUE LULA E O PT JOGARAM FORA
Já que as bets são rejeitadas por 75% da população, segundo pesquisas, seria muito mais inteligente e estratégico para o PT aproveitar que esse é um dos poucos temas que tem o poder de unir a nossa sociedade. O Partido dos Trabalhadores deveria mostrar para o eleitorado que não existe solução fácil para uma doença tão grave como o vício em jogo.
O PT perdeu a gigantesca oportunidade de dizer de forma clara, franca e direta: o vício nos jogos online existe e é um problema crescente nos quatro cantos do país, que invadiu as casas das famílias brasileiras. Por isso, o partido está comprometido nesta disputa eleitoral com a formação de uma nova Câmara dos Deputados e uma reformulação no Senado — em que o eleitor deve votar em dois senadores —, colocando as bets no centro da pauta legislativa brasileira, deixando claro que sua missão neste novo mandato será proteger as famílias, cuidar das vítimas desta doença e fazer campanhas de conscientização em massa para informar de forma clara e efetiva sobre os riscos deste perigoso vício.
QUEM É CONTRA AS BETS VOTA 13 PARA DEPUTADO E SENADOR.
Essa deveria ser a grande bandeira do PT na campanha eleitoral. Isso faria o partido de Lula, sem dúvida alguma, conquistar um número muito maior de cadeiras no Poder Legislativo, o que com certeza faria diferença no jogo do poder e na governabilidade, mudando consideravelmente os ventos políticos. Com esse poderoso discurso, o PT dividiria a responsabilidade de definir o futuro das apostas online com o eleitor brasileiro.
Com a bola no chão e com as bandeiras baixas após a disputa eleitoral, com novos membros no Poder Legislativo e com força popular, Lula teria autoridade moral e espírito público para, de mãos dadas com especialistas nesta doença, mídia especializada, rádios e TVs, ir ao lado do Congresso de forma democrática e coletiva construir uma legislação moderna que poderia servir de inspiração para outros países do mundo.
Ao assinar uma medida provisória, o petista reduz um problema complexo que retira bilhões de reais da economia brasileira a uma simples canetada eleitoral.
Por meio de uma medida provisória, a canetada de Lula gerou uma gigantesca insegurança jurídica que revoltou não apenas as empresas que pagaram caro para obter o licenciamento, mas também os clubes de futebol e as emissoras de TV e rádio.
Além de as bets já estarem preparando diversas ações judiciais contestando essa medida governista, os clubes e a mídia, que possuem contratos milionários, também a contestam.
A tendência é que o tema só seja discutido de forma ampla quando a medida provisória perder a validade e o projeto de lei que torna crime a divulgação de apostas online for avaliado pelo novo Poder Legislativo, que voltará aos trabalhos em fevereiro de 2027.
Se Lula vencer e formar uma ampla maioria no Poder Legislativo, a tendência é que as apostas sejam banidas, caso contrário, o bolsonarismo pode vencer e, para agradar às igrejas e à mídia, Flávio pode autorizar a volta das apostas com limitações.
Que comecem os jogos, façam suas apostas, eleitores.