Pela gigantesca disputa nos bastidores do poder durante a pré-campanha e pela primeira rodada de pesquisas, é possível dizer que a eleição para o governo de Alagoas será uma das mais disputadas da Região Nordeste.
Nas últimas duas décadas, Alagoas alcançou um protagonismo político expressivo, mostrando grande força no poder legislativo federal.
A poderosa família Calheiros mantém aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o primeiro mandato petista, com Renan Calheiros exercendo forte influência no Congresso Nacional e recebendo elogios frequentes do chefe do Executivo federal, com quem construiu sólida relação política.
O deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira — que foi um dos principais parceiros do ex-presidente Jair Bolsonaro — comandou com punhos de ferro a distribuição de recursos do orçamento secreto, instrumento frequentemente criticado pelos Calheiros.
Para entender o conflito entre os Calheiros e os Caldas, é fundamental examinar as origens, os perfis e as estratégias de cada um desses grupos.
JHC é herdeiro da poderosa família Caldas e, ao adotar estrategicamente apenas suas iniciais e desvendar com cautela sua ligação direta com a oligarquia tradicional da capital, busca se projetar como uma liderança jovem cuja principal bandeira de campanha é a fé na mudança.
A chapa liderada pelos Caldas conta ainda com a presença de Marina JHC, esposa do candidato, na disputa por uma das cadeiras no Senado, apostando em uma figura jovem de forte apelo nas redes sociais. A aliança também integra Arthur Lira que, de maneira semelhante a JHC, tenta afastar de sua imagem a forte associação ao bolsonarismo, buscando desvincular o debate presidencial da disputa estadual e focando o discurso na oposição à oligarquia dos Calheiros — embora represente outro grupo com forte sede de poder.
Outro fator que chama atenção na campanha de JHC é o esforço da equipe de marketing em consolidar uma imagem moderna, dinâmica e pautada em valores religiosos.
Quem assume a missão de impulsionar a campanha da família Caldas no interior do estado é Arthur Lira, mobilizando lideranças e multidões nos quatro cantos de Alagoas.
A escolha de JHC pelo PSDB busca trazer um tucano ferido nacionalmente que busca renascer no estado que já governou com punhos de ferro dos duros tempos de Teotônio Vilela.
Do outro lado, a campanha do candidato governista, que tem um dos jingles mais espetaculares desta temporada de balada eleitoral, busca mostrar que Renan voltará ao comando do estado ainda mais experiente e com uma aliança ainda maior com o petista Lula. O candidato do MDB define essa disputa eleitoral como a disputa entre o certo e o duvidoso, apontando que JHC busca se esconder por trás de uma sigla, enquanto ele não tem pudor algum, e sim orgulho em falar de seus grandes aliados, o petista Lula e o senador Renan Calheiros.
O possível envolvimento de JHC, ainda nos tempos de prefeito da capital, no escândalo fraudulento do Banco Master, colocando o fundo previdenciário dos servidores públicos da capital em risco, deve apimentar a campanha. A investigação está em curso.
Trata-se de um duelo entre duas poderosas oligarquias estaduais com dinâmicas distintas: os Calheiros, originários de Murici, interior do estado, onde Renan Filho foi prefeito, apostam na nacionalização da campanha e no capital político de Lula; enquanto os Caldas, com forte reduto na capital, mobilizam o eleitorado urbano e religioso, tencionando equilibrar o peso da máquina estadual.
A política nordestina, ao contrário do que muitos acreditam, é incrível, com uma diversidade enorme.
GUERRA EM ALAGOAS Dois nomes tradicionais da política do estado vão disputar o governo em outubro. O ex-prefeito da capital, JHC, será o candidato da extrema-direita, com apoio de Arthur Lira, que sonha com uma cadeira no Senado. Com certeza, essa será uma das eleições mais disputadas do estado.
— ANGELO NET BLOG DO PROVOCADOR (@blogdoprovocador.bsky.social) August 17, 2026 at 2:26 AM
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